março 07, 2004

Quem foi Rimbaud?

Em jeito de apresentação de


Jean-Artur Rimbaud


(um momento de glória na História universal da Poesia)


 


        Rimbaud foi o génio que atravessou, desde 1870, toda a Poesia francesa e mundial até aos dias de amanhã…


        A sua genialidade fica provada no facto de ter vivido a espiritualidade da arte poética com toda a intensidade possível e, também, porque os que se lhe opuseram, os familiares e curiosos que lhe deturparam os escritos, que falsificaram o seu estilo, os estudiosos da sua vida e da sua obra que não lhe compreenderam o essencial[1], ou interpretaram segundo as concepções do passado, contradizendo o sentido revolucionário da sua estética, por incapacidade de perceberem um adolescente no período das transformações sociais do “furacão” da Comuna e da cidade de Paris que ia extinguindo o velho sistema imperial das ditaduras.


        A sua genialidade advém-lhe, também, de tudo o que se lhe opunha, frontal e insidiosamente, ter desaparecido nos trambulhões da História (e não era pouco) por ser menos verdadeiro, menos real, mais negativo na escala de valores que o Tempo, e só ele, consagra e traz à luz das novas realidades; genialidade, essa, feita precisamente da confirmação do seu talento e da sua visão universal não só da qualidade das classes sociais que se afrontam violenta e mortalmente – as guerras – como pelo facto de ter visionado para a Poesia uma acção educadora, inovante, e quase clandestina, que viria a tomar o rumo da evolução sustentada, arrastando atrás de si e das suas conquistas todo o arsenal das outras artes.


        E, ainda, a vida desesperada e trágica que viveu com Verlaine e companheiros “Zutistas”[2] – círculo de intelectuais auto marginalizados que, perante a diabolização do poder repressivo que sucedeu à Comuna, adoptaram uma atitude extremista rindo de tudo e todos, e da Fé, e da Moral convencional, da literatura desumanizante, da música para adormecer o futuro e da pintura setecentista feita para as alcovas dos palácios – tudo isso contribuiu para Arthur Rimbaud escrever uma Poesia nova e dela ficar Vivo através dos tempos, apesar do muito que foi feito para o apresentar sob uma outra luz.


(...)


Fernando Morais, Conversando com Rimbaud


(Caderno «12 Páginas de Poesia» n.º 37)








 


[1] Salvo honrosas excepções.



[2] Este círculo de cultura, presidido por Charles Cross, tinha a sede num quarto grande do Hotel dês Etrangres, no 3.º andar. O círculo vivia de cotizações de amigos dos quais o mais velho tinha 38 anos e Rimbaud, o mais novo, 18 anos. Cabaner era o responsável pelas bebidas e manutenção, ajudado por Rimbaud. Ali compunham ao piano, escreviam, declamavam, cantavam e criticavam a sociedade corrupta. Alguns vinham dum outro agrupamento: os “Vilian Bons Homens” ou como diríamos: "Os Mal Comportados".

Posted by index-poesis at março 7, 2004 05:33 PM
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